Audiência na Câmara alerta para risco de retrocesso em direitos de pessoas com autismo em julgamento do STJ

Participantes de audiência pública realizada na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados defenderam uma mobilização popular contra possível retrocesso nos direitos de pessoas com autismo em julgamento marcado para 6 de novembro no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A Corte vai decidir se planos de saúde podem limitar terapias destinadas a pessoas com transtorno do espectro autista (TEA).

Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa dos Direitos dos Autistas, o STJ sempre considerou obrigatória a cobertura integral das terapias prescritas. No entanto, o diretor do instituto, Robson Menezes, apontou que ministros da Corte já indicaram voto favorável às seguradoras.

“Agora que o entendimento é vinculante, agora que eles vão aprovar uma lei dentro do Judiciário, eles querem mudar o entendimento. A gente não pede nada demais, a gente pede que o STJ cumpra com a sua obrigação constitucional, jogue de acordo com o que está na lei e siga seu entendimento histórico”, afirmou.

O defensor público federal Edilberto da Silva, por sua vez, reforçou que a decisão envolve um princípio fundamental: “Pode o contrato privado restringir o acesso a tratamentos essenciais de uma pessoa com deficiência em afronta direta à Constituição, à Lei Brasileira de Inclusão e à Convenção Internacional do Direito da Pessoa com Deficiência? Quando o Estado regula o setor de saúde suplementar, não pode admitir cláusulas que esvaziem esse direito”.

Outra participante, a psicóloga Claudia Romano, da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental, alterou para os impactos da restrição: “Quando a gente fala de restringir acesso a horas, a gente fala de um retrocesso e de uma negação de parâmetros científicos que chega a ser um negacionismo. A gente fala de piora de sintomas, de regressão dessa pessoa autista e, consequentemente, do estresse, do adoecimento familiar. Isso gera maior dependência, que é mais tempo e quantidade de cuidado ao longo da vida”, disse.

O debate foi promovido a pedido das deputadas Dra. Alessandra Haber (MDB-PA) e Iza Arruda (MDB-PE) e dos deputados Amom Mandel (Cidadania-AM) e Geraldo Resende (PSDB-MS).

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