Serviços do INSS estão ameaçados

Defasagem de servidores pode ocasionar um colapso na autarquia

Byanca Guariz   

A carência de recursos humanos tem provocado uma fragilidade aos serviços que são ofertados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A falta crônica de servidores é um dos motivos que mais preocupa o segurado, que precisa enfrentar uma peregrinação todos os dias em busca de atendimento.

E com este cenário, as Agências da Previdência Social (APS) podem sofrer um “apagão” a partir do ano que vem. Dados divulgados pelo próprio instituto, ao jornal O Globo, apontam uma série de motivos que vem causando preocupações. Segundo o levantamento, cerca de 1.078 servidores estão cedidos para outros órgãos, enquanto a própria autarquia apresenta déficit de pessoal. Desses, 504 estão alocados na Advocacia Geral da União (AGU), seguido pelo Ministério do Desenvolvimento Social com 290 e o Ministério da Fazenda que contabiliza 136.

Aposentadorias

Sobre as condições de se aposentar, o instituto também apresenta um problemão. A partir de 2019, dos 33 mil servidores públicos, 55% já possuem condições para adquirir o benefício, e se esses profissionais decidirem deixar a ativa a autarquia poderá perder 18.150 trabalhadores de uma só vez.

Por Estado, o que possui maior crise é o Rio de Janeiro. No Rio Grande do Sul a defasagem também é grande, totalizando 60%.

Eis que surge a dúvida: o que o INSS tem feito para amenizar a situação? Ao ser procurado para maiores esclarecimentos, a presidência da autarquia não prestou informações a respeito. No entanto, reportagens informam que medidas estão sendo implantadas.

Em entrevista ao FolhaPress, o presidente do instituto, Edison Garcia, defendeu a criação de um incentivo com bônus e teletrabalho para manter mais servidores na ativa. Segundo Garcia, a intenção é ampliar de 5.100 para 8.000 a quantidade de pessoas que atuam na análise de pedidos de benéficos. “Estamos modelando o programa para pagar bônus por metas atingidas. Todos os números de processos analisados que ultrapassarem uma quantidade base vamos adicionar um valor crescente, que ainda não está fechado”, disse.

 

Reclamações

A constatação é óbvia para quem procura por atendimento. Julyana Araújo, beneficiária do INSS, destaca que exemplos reais de colapso nas agências estão mais perto do que se pode imaginar. Segundo ela, que é residente de Planaltina-GO, a falta de servidores tem prejudicado os atendimentos.

A agência da Previdência Social em “Brasilinha” – como a cidade é conhecida – está com as portas fechadas. Construída há mais de cinco anos a APS não tem apresentado resultados desejáveis. A agência é a primeira da Gerência do Distrito Federal 100% digital, apenas “digital”, pois muitos moradores nem sabem se ela de fato funciona.

“Para os próprios moradores, ainda não se tem uma explicação. Para se ter uma ideia as pessoas não sabem nem se ela foi inaugurada. Ou seja, é uma construção que não trouxe benefícios para o cidadão”, disse.

De acordo com Julyana, os segurados que vão em busca de atendimento (como a marcação de perícia, solicitação de benefícios), precisam se deslocar até Formosa-GO ou Planaltina-DF (onde estão localizadas as APSs mais próximas para atendimento. “Além de toda a demora nos processos, de marcar perícia, ainda tem a questão do deslocamento para outras cidades”, lamentou.

 

Sem previsão de concurso

O pedido de tramitação de um novo processo seletivo para a autarquia, ainda neste ano, não deve passar de promessas.

A solicitação que percorre os corredores do Ministério do Planejamento deve ficar apenas no papel. A Anasps entrou em contato com a pasta que informou por nota não ter mais detalhes sobre o tema. “Não é possível antecipar quais concursos ou provimentos serão autorizados. Somente com a publicação da portaria de autorização no Diário Oficial da União é que se dá ampla divulgação da decisão. Demais informações devem ser obtidas junto ao INSS”, diz a nota.

 

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