Pandemia afastou vulneráveis do acesso à Justiça, mostra pesquisa

Segundo pesquisa feita em Defensorias Públicas de todo o país o acesso à Justiça de pessoas vulneráveis está sendo afetado pela pandemia de Covid-19. Essa é a percepção de 92,6% dos profissionais que participaram de levantamento realizado pelo Núcleo de Estudos da Burocracia da FGV (Fundação Getulio Vargas), divulgado nesta terça-feira (4).

A pesquisa mostra que quase metade dos defensores públicos (47%) acredita que não está conseguindo atender o cidadão satisfatoriamente. Os principais grupos assistidos pelos defensores são pessoas pobres e extremamente pobres (21,3%), em situação de rua (18,8%), e idosas (15,4%) geralmente impossibilitados de comunicação com os defensores e com a Justiça por meio digital.

“[A Defensoria Pública] é um serviço que foi decidido que não se mantivesse face a face. Diferentemente de várias áreas da assistência, da própria saúde, em que os profissionais continuaram atuando na face a face com os cidadãos. O trabalho da Defensoria é um trabalho que virou, em grande medida, home office”, destacou a professora e pesquisadora de Administração Pública e Governo da FGV, Gabriela Lotta, coordenadora da pesquisa.

“Um trabalho que vira home office para uma população vulnerável significa deixar o ônus para essa população. Ao mesmo tempo que os profissionais estão protegidos, não estão colocando a saúde deles em risco, isso gera um conjunto de ônus para própria população que não consegue ter acesso a um serviço que foi virtualizado, digitalizado”, acrescentou a pesquisadora.

*Com informações, R7

Previdência Social